sexta-feira, 11 de abril de 2014

Construindo um projeto- Motivação/ Just

Como seria de vital importância se cada avaliador ou orientador soubesse o quanto linhas traduzem esforços,pensamentos e tempo... o amadurecimento teórico, as discussões com o orientador, tantas ideias digitadas e apagadas no botão delete... escrituras e reescrituras..

E assim, construí meu projeto. Preferi iniciar a escrita do próprio original e, como estou um pouco atrasada nas postagens, colocarei o  texto antes das considerações do Professor Antonio e, na postagem sobre a Professora Solimar, indico as modificações e sugestões feitas por ela.

Título do projeto: Quando a tecnologia é a única opção: a busca pelo feedback relevante em podcasts  de espanhol por militares  no Curso de Idiomas Virtual

Motivação- Justificativa:

Durante a trajetória como discente do curso de Letras e como docente de espanhol como língua adicional GARCEZ (2009), diferentes temáticas fizeram-me considerar a possibilidade de contemplá-las numa investigação acadêmica. No entanto, nada mais pertinente hoje são os esforços por solucionar (ou, ao menos, problematizar) um fato que permeia meus fazeres diários: a busca por um feedback relevante em  podcasts produzidos por militares de carreira no Curso de Idiomas Virtual (CIV) no nível A1.
            Inicio o trabalho no mencionado curso no ano de 2013, período de intercâmbio estudantil na cidade de Tucumán, localizada no noroeste da República Argentina. No início, senti bastante desconforto por lidar apenas com o espaço cibernético, visto estar o CIV hospedado em um ambiente virtual de ensino aprendizagem (AVEA) e por não estabelecer contato físico com os aprendizes. O ensino de línguas mediado pelo computador adentrava em minha vida como novo campo laboral, ao mesmo tempo em que modificava todos os paradigmas e concepções a respeito da ensinagem do ELE. Tomei, portanto, o tecnológico como a ponte capaz de interpelar os contatos com os alunos e a virtualidade como o âmbito de indagação das singularidades do ensino de línguas online; campo pouco contemplado na formação inicial, pautada (ainda) nas metodologias concernentes ao ensino presencial. A tecnologia passou a ser a “única opção” de ser docente nesse contexto de ensino.
            O Curso de Idiomas Virtual, conforme portaria número 079 do Departamento de Educação e Cultura do Exército (DECEX), artigo quarto, “visa a proporcionar aos discentes o aprendizado progressivo de idiomas estrangeiros (alemão, inglês, espanhol. francês, italiano e russo) desenvolvendo habilidades de compreensão auditiva, expressão oral, compreensão leitora e expressão escrita (...)” e direciona-se aos militares de carreira da Força Terrestre brasileira. Tem por duração quatro anos de estudos e baseia-se no ensino por competências, no qual as destrezas são trabalhadas e aferidas separadamente, já que, a estas, é conferido, ao final do curso, um Índice de Proficiência Linguística (IPL). O referido índice propicia ao militar de carreira a participação em missões no exterior e é a principal motivação dos alunos a realizar o CIV.
            O nível A1, locus de observação deste estudo, apresenta oito unidades temáticas e, a cada destreza linguística, são propostos de três a quatro tarefas.  Além disso, o curso possui uma seção intitulada “práctica de gramática”, com exercícios estruturais sobre o conteúdo gramatical relativo ao tema da unidade. Para a destreza oral, foco desta pesquisa, as tarefas são configuradas da seguinte maneira: duas são destinadas ao momento síncrono com o tutor através de uma webconferência[1], e duas são realizadas através da produção de podcast. Cabe ressaltar a necessidade de enviar um feedback (em português retroalimentação- termo adotado pelo curso para a correção das tarefas das unidades, exceto os exercícios de gramática, posto que as mesmas apresentam validação automática pelo sistema) aos alunos sobre as produções desenvolvidas .
             Sobre o termo podcast, objeto de análise desta investigação, há, na literatura, diferentes definições para o mesmo.  O termo é cunhado, segundo Moura e Carvalho (2006), em 1994 por Adam Curry, então apresentador da MTV (canal americano de televisão que visa ao entretenimento musical). O conteúdo do poadcast- resultante da soma das palavras Ipod (dispositivo de reprodução de áudio/vídeo) e broadcast (método de transmissão ou distribuição de dados), objetivava inicialmente divulgar novas interpretações oriundas de vários gêneros musicais. Atualmente, os podcasts permitem a transmissão de dados sobre diferentes áreas do conhecimento e o ensino de línguas mediado por computador parece beneficiar-se desse recurso, já que este se faz presente em diversos cursos online, como o Curso de Idiomas Virtual, por exemplo. Para o presente estudo, conceitua-se podcast como a propagação de qualquer arquivo de áudio (normalmente MP3) através da rede, ainda que não seja um compartilhamento massivo a vários usuários da internet, que, no locus de observação, ocorre apenas entre o aluno e o tutor.   
            Na observância do crescente uso dos recursos tecnológicos no ensino de línguas, bem como o deslocamento da modalidade presencial dos estudos idiomáticos aos espaços virtuais, a possibilidade de produzir podcasts através de tarefas aparenta corroborar com a prática da destreza oral devido à sua natureza assíncrona: a gravação pode ser realizada a qualquer momento sem a necessidade da presença do tutor.  Geralmente, no decorrer de um curso virtual, o participante possui poucos momentos de interação oral síncrona com  esse sujeito, o que torna a produção do material de áudio uma alternativa profícua para a expressão oral do aluno, fato que também se observa no CIV.  Sublinha-se que, neste estudo, encara-se a essência do podcast como instrumento adicional na aprendizagem da oralidade do ELE e não como forma substitutiva de momentos de interação síncrona com o tutor e  tampouco um meio de  exclusão da figura desse como mediador da prática e da avaliação da destreza oral.

             Conforme já exposto, a necessidade do envio do feedback sobre os exercícios dos alunos nas quatro destrezas linguísticas alcança a produção dos podcasts. A não disponibilidade de critérios de correção acerca do material torna a retroalimentação de difícil entendimento por parte dos alunos. Em um levantamento empírico sobre a elaboração do feedback dos podcasts  com a equipe de tutores de espanhol, alguns  relataram focalizar apenas questões relativas a erros de pronúncia; outros afirmam contemplar somente a relação entre a tarefa e a gravação do aluno, de forma a verificar se esta foi cumprida de forma correta. Em relação ao suporte do feedback, os tutores  preferem a correção escrita a oral, já que o espaço destinado a esse oferecimento apresenta as duas possibilidades.
            Assim sendo, o objetivo central do presente estudo é o de elencar critérios de avaliação de podcasts,e com isso, elaborar uma rubrica de correção capaz de  disponibilizar ao aluno militar  um feedback relevante sobre os podcasts produzidos nas unidades didáticas . A pesquisa, de natureza qualitativa, insere-se no campo da pesquisa–ação, posto que os resultados obtidos com esta visa à mudança da prática docente e, consequentemente, tencionam a uma melhora no processo de aprendizagem da oralidade em ELE.
            Para compreender a prática da destreza oral através dos podcasts no CIV, será realizado, ademais da investigação dos critérios de avaliação, um breve recorte do percurso do ensino de línguas no Exército Brasileiro, em especial do  espanhol,   com vistas a situar sócio-historicamente a inserção dos idiomas na instituição e compreender o deslocamento do ensino de línguas da modalidade presencial a virtual na Força Terrestre  da modalidade presencial a virtual. Ao longo da pesquisa, também serão abordadas questões relativas ao ensino de línguas mediado por computador e a avaliação da oralidade em língua espanhola a fim de contemplar os objetivos do estudo em questão.



[1]  Os alunos do Curso de Idiomas Virtual, em qualquer um dos idiomas a serem eleitos, realizam semanalmente e, durante uma hora, um encontro síncrono não presencial com o tutor por meio da ferramenta Adobe Connect, que propicia a execução de uma webconferência. Nesses momentos, os alunos interagem entre si e com o tutor  através de câmeras e recursos de áudio,  fato  que parece estimulá-los à presença e à participação nas “aulas virtuais”. 

Flipped Classroom

Um dos conceitos interessantes apresentados pela Professora Adriana Ramos na disciplina de Tecnologias é o flipped classroom - no português sala de aula invertida. De acordo com o site porvir.org., este termo é caracterizado como "o nome que se dá ao método que inverte a lógica de organização da sala de aula. Com ela, os alunos aprendem o conteúdo em suas próprias casas, por meio de videoaulas ou outros recursos interativos, como games ou arquivos de áudio. A sala de aula é usada para a realização de exercícios, atividades em grupo e realização de projetos. O professor aproveita para tirar dúvidas, aprofundar no tema e estimular discussões". 

O Curso de Idiomas Virtual , local de meus fazeres docentes, utiliza-se, em parte, dessa mesma estratégia: os alunos recebem as indicações das tarefas e de todo o conteúdo gramatical a ser estudado (presentes no livro ou na plataforma virtual) e , no encontro virtual semanal , esses são colocados em prática. 

Visto a questão do pouco tempo de contato com o tutor- uma hora semanal, "inverter" a sala de aula para os alunos parece ser algo muito interessante e produtivo. No entanto, ressalto sempre que, falando de novas tecnologias, há de se considerar as movimentações em relação ao lugar do professor no processo de aprendizagem. Não se deve objetivar, com isso, uma substituição da figura docente em ministrar os conteúdos e exercitá-los com a turma. Assim sendo,o flipped classroom é mais uma das possibilidades de estimular a autonomia discente, tendo no apoio pedagógico do professor um direcionamento dos caminhos da aprendizagem a serem tomadas. 

terça-feira, 25 de março de 2014

Levantamento Ensino de Língua Espanhol/ Contexto Virtual no EB



Conforme publicado anteriormente, o primeiro capítulo de minha monografia será uma contextualização a respeito do ensino de línguas no Exército. Para tal, disponho aqui das obras que irão compor meu embasamento teórico sobre o tema:

"ENSINO DE LÍNGUAS ESTRANGEIRAS NAS FORÇAS ESPECIAIS DO EXÉRCITO:
ANÁLISE DE NECESSIDADES DE APRENDIZAGEM", de Mauro Ricardo Toniolo Silva. 



"A promoção da aprendizagem significativa nas atividades de expressão escrita do Curso de Idiomas Virtual de Espanhol", de Walace Santos.

DRUMOND ALVES, Sandro Marcio ; MATOS, Doris Cristina Vicente da Silva . O ensino de espanhol para fins específicos na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). In: Luciana Maria Almeida de Freitas et al.. (Org.). Experiências Didáticas: O ensino de espanhol no Brasil. 1ed.Rio de Janeiro: APEERJ, 2013, v. 1, p. 255-268.  

DRUMOND ALVES, Sandro Marcio . As mudanças no ensino/aprendizagem de E/LE na formação do oficialato do Exército brasileiro: Estudo empírico e relatos de experiência na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN). In: XIII Congresso Brasileiro de Professores de Espanhol - Integração de Culturas, 2009, João Pessoa. Anais do XIII Congresso Brasileiro de Professores de Espanhol. João Pessoa: Realize Editora, 2009. v. 1.  
MARQUES, A. Repensando a mediação docente no Curso de Idiomas Virtual. 2013 .39 f. Trabalho de Conclusão de Curso (especialização). Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ, Rio de Janeiro, 2013.

MOTTA, J.  A formação do oficial do exército. Rio de Janeiro: Bibliex,1998

SOARES FILHO, D. ; SANTOS, A. C. ; MENEZES, E. E. D. . Curso de Idiomas a Distancia. Rio de Janeiro: Centro de Estudos de Pessoal, 1996. v. 12.



Portarias que regulamentam o curso:

Portaria 153 SEIAPLEX, de 26 de novembro de 2010.
Portaria  150 DECEX- de 30 de dezembro de 2013. 


Novas turmas, velho problema...

Hoje, novamente relatando os desafios de tentar fornecer o feedback nas atividades de áudio, e com duas novas turmas de cinquenta alunos A1 cada uma, vejo que, de fato, avaliar a oralidade nesse material gravado não será nada fácil. Quais os critérios precisarei elencar em minha correção? O que é relevante para o aluno saber acerca desse material gravado... algo que seja prático, dinâmico...

Como avaliar a pronúncia em um material gravado? E como seria a melhor forma de dar esse feedback na pronúncia "inadequada", se podemos assim dizer?


Desafios...

quinta-feira, 13 de março de 2014

Quando a tecnologia é a única opção.

Hoje, 13 de março de 2104, fizemos a apresentação dos trabalhos da disciplina Formação de professores no Brasil.O texto, com resenha publicada aqui no diário, teve por assunto a questão tecnológica no ELMC,na visão de Paiva (2010)

A autora aborda o texto em quatro eixos: aspectos convergentes e tensionados no ELMC, Formação docente na área tecnológica, ferrramentas colaborativas e o projeto Taba eletrônica , da UFMG, como meio de promover a formação docente na área online do ensino de idiomas ainda na etapa inicial.

Ao longo das apresentações,pude perceber como o assunto já está intrínseco  em meus fazeres diários e a tecnologia é o meio pelo qual desenvolvo minhas atividades docentes. Não posso, conforme  exposto no texto, expressar medo, insegurança ou qualquer outro tipo de receio em relação ao tema :a tecnologia é , aqui, o meu único caminho de interação, o meu único suporte de fazeres pedagógicos, o meu único jeito de ensinar espanhol. A tecnologia é, de fato, a minha única opção.

Trabalhar em uma ambiente virtual e não ter contato físico com os alunos - logo eu, considerada tão afetiva e próxima, instiga-me a criai novas formas de aproximação que, consequentemente, objetivam colaborar com o aprendizado do espanhol como língua adicional. (Garcez, 2009).

Adelante...

sexta-feira, 7 de março de 2014

Retorno às atividades da pós - 2014

Novamente retornando à pós e com o desejo sincero de ser mais disciplinada e manter o blog atualizado e consonante à proposta do professor Antonio. De fato, reinicio hoje e como última promessa de mantê-lo ok!

Sobre os módulos do período: estamos em aulas com o professor Leandro Cristóvão e Flávia Dutra, nas matérias Elementos culturais do ensino de línguas estrangeiras e Letramento, respectivamente. 

As discussões a respeito dos aspectos culturais são bastante profícuas: já abordamos conceitos de cultura (s), falamos sobre Foucault e as formas de construção da verdade/ poder e acabei de fichar um texto sobre a modernidade líquida , de Bauman. Interessante pontuar que o texto de Bauman se encaixa bem em minha atual experiência com a docência virtual: desconstruiu-se o sólido do presencial e novas formas e arranjos se configuraram a partir do tecnológico. Darei mais ênfase a esse tema após o debate em sala. 


Professora Flávia Dutra ainda não iniciou as leituras,mas anseio por saber mais sobre o assunto,visto ser o mesmo bastante ampliado desde as minhas iniciais leituras de Soares (2003).

É isso! 

Resenha do texto de Paiva

Resenha do texto de: PAIVA, Vera. A tecnologia na docência de línguas estrangeiras: convergências e tensões. In: FRADE, Isabel Cristina da Silva et. al. (org.). Convergências e tensões no campo da formação e do trabalho docente. Belo Horizonte: Autêntica, 2010, p. 595-613.

            O artigo intitulado “A tecnologia na docência de língua estrangeira, de Paiva (2010) propõe uma discussão acerca das inovações tecnológicas no ensino de línguas estrangeiras; discussão esta posta pela autora no limiar de aspectos convergentes e tensionados. Além disso, o artigo ressalta políticas governamentais de incentivo à inserção tecnológica, apresenta considerações sobre a formação docente e o uso tecnológico e relata experiências sobre o projeto Taba Eletrônica, desenvolvido na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
            No início do texto, Paiva (2010) destaca a importância das tecnologias no cotidiano e os benefícios trazidos pelas mesmas à organização social e à vida cotidiana, com ênfase no fenômeno da convergência midiática, entendida como a junção de múltiplas funções em um único aparelho (p.ex. o celular e o computador), o que acarreta intensa produção de informação (textos) e conhecimento.
            Outro ponto apresentado em relação ao panorama da convergência é a criação de políticas de ampliação do acesso à informação, em que instâncias governamentais estariam imbricadas em favorecer o alcance tecnológico a todos os estratos sociais. A autora cita diversas iniciativas públicas nessa área, a saber: o projeto Enlaces (chileno, iniciado em 1993 e direcionado ao ensino primário e secundário[1] e à capacitação docente), o Word Links (com início em 1997 e financiado pelo Banco Mundial como suporte político à inclusão de alunos e professores) e os de esfera nacional, como a manutenção do banco internacional de objetos educacionais, da UAB, o Portal da CAPES, a biblioteca virtual Domínio Público e o PROINFO. Este último recebe avaliação positiva de Paiva (2010), que expõe dados favoráveis ao investimento tecnológico por parte do Ministério da educação e cultura (MEC).
            Apesar dos supracitados programas objetivarem a utilização das redes técnicas de conhecimento como forma de inclusão social (e alunos, professores e espaços escolarizados são inseridos nesse processo), há, para a autora, ainda que de forma aparente, uma falta de convergência no uso tecnológico pelos docentes; daí a faceta tensionada do tema tecnologia educacional. A teórica elenca fatos que justificam sua posição em encarar a inserção tecnológica no espaço educacional enquanto gesto tensionado por parte do professorado: o desconhecimento, a resistência ao novo, a falta de habilidades em manipular aparelhos eletrônicos, dentre outros de cunho comportamental como a inércia e a preguiça. Contudo, deve-se sublinhar a efemeridade como elemento intrínseco ao tecnológico, motivo no qual parece suscitar a pouca familiaridade dos professores com os usos de novos suportes.
            E por falar no docente: que postura este “ator educacional” deve tomar diante dos new gadgets e do mundo dos megas e micro bytes? Paiva (2010) postula que os professores precisam exibir confiança no uso das tecnologias e evitar a “falácia técnica”. Em outros termos, não se deve atribuir totalmente o sucesso ou o fracasso do ensino-aprendizagem pela presença/ausência tecnológica.
            A respeito da formação docente em língua estrangeira, a autora defende a inclusão do tema tecnologia nas fases iniciais e continuadas dessa etapa e traz a voz de Chapeler (2000:6 apud PAIVA, 2010:562): “os professores de segunda língua hoje precisam ser capazes de escolher, usar e em alguns casos, recusar tecnologias para seus alunos”. Trataremos da afirmação mais adiante. Mesmo que muitas universidades tenham criado núcleos e grupos de pesquisa sobre produção de materiais e ensino de língua “online”, a autora afirma ser ainda muito incipiente o desenvolvimento do conteúdo tecnológico na formação de professores. De fato, como discente de Letras de renomada universidade, vivenciei poucos momentos voltados à produção de material “online”, debruçando mais os esforços em tomar a tecnologia como suporte (uso do youtube, editor de textos, power points) à utilização presencial com os alunos.
            Como política de formação aos “novos tempos”, Paiva (2010:564 apud Healey et.al. 2009:6) apresenta a iniciativa da TESOL e seus parâmetros concernentes à formação docente na área tecnológica, quais sejam: “reconhecer a importância de se integrar à tecnologia no ensino, saber o que se espera deles em termos de conhecimento, habilidades e de implementação de currículo; entender a necessidade de aprendizagem continuada em suas carreiras profissionais; e ser desafiado a alcançar um maior nível de proficiência no uso tecnológico”.
            A fim de colaborar com o conhecimento sobre o uso tecnológico, a autora cita algumas ferramentas interessantes e recomenda a apropriação da tecnologia utilizada pelos alunos de maneira a dirimir lacunas existentes entre o mundo escolar e o mundo ao redor.

Paiva (2010) relata também experiências profícuas a respeito do projeto Taba eletrônica, do qual é coordenadora na UFMG. O referido projeto visa ao desenvolvimento de pesquisas em linguagem e tecnologia, elaboração de materiais didáticos e inovações tecnológicas direcionadas a docentes e discentes. Por fim, conclui que o uso tecnológico se insere no âmbito pedagógico (em especial no ensino de línguas) na tensão e na convergência, urge modificações na formação docente a fim de contemplar os conteúdos tecnológicos e explicita ser o ensino de línguas mediado por computador (doravante ELMC) ainda um processo contínuo de transformações.
Decerto, a questão tecnológica influencia significativamente no cotidiano social. Encurtam-se distâncias, pessoas (separam-se) aproximam-se e realizam-se procedimentos em frações de segundos. E o âmbito educacional, em especial o ensino de línguas estrangeiras, ganha relevância nesse processo. A língua em sua dimensão “real” pode ser acessada em poucos minutos por um “www” e a  (não) comunicação com os “nativos” e a leitura de diferentes materiais podem  (des) auxiliar o professor na empreitada do Ensino de LE.
            Se há por um lado a preocupação em fornecer equipamentos digitais aos espaços educativos, falta por outro a inserção do tema tecnológico na formação dos professores, fato destacado por Paiva (2010) ao longo do texto. Cada vez mais ferramentas tecnológicas são deslocadas de suas utilizações originais e implementadas com objetivos educacionais, assim como a produção de suportes já direcionados a esses objetivos. No entanto, os currículos destinados a formar docentes aparentam certa falta de consonância com o advento tecnológico dos “novos tempos”, se pensamos principalmente na formação inicial docente de LE,e torna-se um tema a ser  contemplado (talvez) numa etapa de formação posterior.[2]  
            É preciso, portanto, observar a tecnologia como aliada ao ensino e não torná-la a única responsável pelo êxito ou insucesso do trabalho docente, fator que evitaria a “falácia técnica”, apontada por Paiva (2010). Atualmente, a substituição dos quadros “negros” (ou brancos) pelos seus correspondentes digitais é motivo mercadológico de atração de alunos por parte de instituições escolares privadas. Outdoors pela cidade podem ser vistos com “frases de efeito”: “adentramos o mundo tecnológico” ou “venha estudar com o quadro interativo”, como se a presença desse instrumento fosse suficiente para promover um ensino qualitativo.  
                Há de se pensar, também, quando o uso tecnológico é único meio de contato com alunos de língua estrangeira [3], situação em que a “falácia tecnológica” ressaltada pelo imaginário de supremacia da máquina tem especial destaque. Certamente que o domínio dos aparatos e softwares é essencial ao professor e corrobora com a aprendizagem da LE. Destaco o uso dos fóruns, das atividades de múltipla escolha interativas, da montagem do glossário e de ferramentas de webconferências promotoras de encontros síncronos presenciais como mediadores vantajosos no percurso do ensino “on line” de línguas. No entanto,  a presença do professor enquanto elemento ativo (e não mero espectador do high tech) no ELMC é de fundamental importância, uma vez que o mesmo aponta os caminhos, sana dúvidas, oferece materiais complementares e fornece feedbacks às produções dos aprendizes.
            Assim sendo, o advento tecnológico urge a presença de disciplinas na formação docente, em que professor possa refletir a respeito de seu uso ou “desuso”: nem sempre todas poderão ser colaborativas ou eficazes, o que ocasiona a “recusa” do professor expressa por Healey et. al. (2009). Uma formação para além da manipulação passiva do high tech e que realmente contribua com o ensino eficaz de LE.






[1] Preferiu-se manter a terminologia proposta por Paiva (2010) de ensino primário e secundário em contraponto a ensino fundamental e médio; termos possivelmente mais próximos das designações dos níveis educacionais em espanhol: primaria e secundaria, visto o projeto ser desenvolvido no Chile.  
[2] A especialização em “Ensino de Línguas Estrangeiras” do CEFET-RJ, destinada a ser um espaço de formação continuada do docente de LE, demonstra apresentar certo interesse em oferecer ao seu público-alvo conhecimentos sobre o uso das novas tecnologias, por incluir em seu currículo o módulo de “Tecnologias no ensino de línguas estrangeiras”, ministrado pela Profª Adriana Ramos, além de suscitar investigações na área, haja vista a disponibilidade de vagas de orientação na linha de pesquisa da docente mencionada.          

[3] Como tutora de espanhol do Curso de idiomas virtual (CIV), destinado aos militares de carreira do Exército Brasileiro, mantenho a interação com os alunos participantes mediada pelas atividades síncronas e assíncronas não presenciais disponíveis no AVEA (ambiente virtual de ensino-aprendizagem) e pela troca de mensagens via correio eletrônico e whatsapp (ferramenta de mensagens “instantâneas” por celular). O único momento presencial do curso é a realização da avaliação somativa,em que os alunos comparecem às organizações militares previamente escolhidas  e prestam provas de compreensão leitora,auditiva e expressão escrita.